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Parece-me muito possível que os acontecimentos das próximas semanas ultrapassem as medidas anunciadas ontem pelo Governo e que novas reuniões de Conselho de Ministros tenham de voltar a acontecer em breve.

Atendendo ao valor de transmissibilidade (Rt), aos níveis de burnout que se verificavam nos profissionais de saúde antes da pandemia em Portugal, acrescido do desgaste brutal e humanamente insustentável a que foram sujeitos desde Março de 2020 e à perda de efectividade das vacinas após seis meses de toma; a possibilidade de sobrecarga dos Serviços de Urgência e de Internamentos Hospitalares torna-se bastante plausível.

Não pretendo ser alarmista, mas a ideia de que está tudo bem e que estamos numa trajetória de controlo endémico da Covid-19 pode ser bastante enganadora. Se algo esta pandemia nos tem ensinado é que temos de confiar no melhor, mas estar preparados para o pior.

Acresce uma nota de preocupação: a variante Ómicron (B.1.1.529) que se tornou dominante na África do Sul muito mais rapidamente que as variantes Beta e Delta. As mutações observadas nesta variante sugerem que esta poderá iludir a resposta imunitária gerada pelas vacinas e representar uma ameaça ao controlo epidemiológico da pandemia em países em que a vacinação já está bastante avançada, como é o caso de Portugal. Precisamos de mais dados para verificar se assim é e os próximos dias serão clarificadores. A África do Sul tem uma taxa de vacinação de apenas cerca de 24% da população. Túlio de Oliveira (Director of CERI: Centre for Epidemic Response & innovation, South Africa) tem sido um dos principais porta-vozes na disseminação de informação sobre esta nova variante. Enquanto o Reino Unido e a União Europeia se apressam a fechar corredores aéreos com países Africanos, o primeiro caso já foi detectado na Europa (Bélgica). Na medida em que surgam novas informações voltarei a este assunto.