De que serve obrigar o uso da Stayaway Covid?

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 1. Carateriza o risco de forma insuficiente

A App Stayaway Covid assinala a ocorrência passada de um episódio de proximidade a menos de 2 metros e durante cerca de 15 minutos de dois telemóveis através de conexão bluethooth.

Nada diz sobre se as pessoas estiveram sentadas numa esplanada de costas voltadas, se usavam ou não máscara, se estiveram em silêncio a assistir a um espetáculo lado a lado, ou se estiveram a beijar-se o tempo todo. Ou se um dos telemóveis estava algures numa mochila ou pousado numa mesa e as duas pessoas nunca se cruzaram sequer.

Informações importantes para caraterizar o risco de contágio e que apenas podem ser obtidas se existir a indicação sobre quem foi a pessoa infetada com quem houve suposta proximidade, informação que a App não tem como fornecer. O anonimato é assegurado e o risco de quebra de confidencialidade é realmente muito baixo. E, neste caso, isso é uma grande limitação.

Nada diz sobre contactos com pessoas infetadas que:

– não notificam, introduzindo o código (de que serviria obrigar à instalação da App e manter a notificação voluntária!);

– não usam a App (a obrigatoriedade em apenas alguns contextos é uma discriminação inexplicável);

– não tinham consigo o telemóvel no momento do contacto (não somos Cyborgs e os telemóveis ainda tendem a ficar pousados em muitos locais enquanto nos movemos longe deles);

– não foram testadas e contagiaram de forma assintomática (‘Fique longe da COVID num clique’ é o que se pode designar de publicidade enganosa).

O uso obrigatório e massivo traria consigo uma falsa sensação de segurança e um rápido descrédito no sistema de alerta de contágio por todas as insuficiências que apresenta.

Resta saber como seria gerido esse descrédito, silenciando a população? Cortando na liberdade de expressão? Ocultando a incapacidade de gerir o aumento de casos?

2. Orienta o uso de testes de forma indiscriminada

Recebendo a notificação de que houve um episódio de risco nada se sabe sobre esse episódio. Apenas que o telemóvel esteve, a dada altura, durante 15 minutos próximo de um telemóvel de uma pessoa infetada. Como é que esta informação orienta a gestão clínica do caso?

Citando o Luís Antunes: “Deixe-me fazer uma conta muito rápida. Hoje houve 2600 casos, se cada um destes portugueses tivesse a app instalada e durante os últimos 14 dias, por dia, tivesse contactado com 6 outros portugueses que tivessem app amanhã haveria 220 000 alertas de potencial infeção em todos os que tinham a app. Ora, eu questiono-me se a rede de saúde 24 está preparada para receber as chamadas e o que é que vamos fazer a esses portugueses…

O uso da App de forma massiva tem o potencial de gerar uma procura excessiva por testes, quando o esforço devia ser colocado numa gestão eficiente dos mesmos. Não temos como processar milhares de amostras diariamente de forma indiscriminada, mas podemos orientar de forma eficiente o seu uso através dos médicos de saúde pública. Tenham estes os recursos de que necessitam.

3. Aumenta a desconfiança e pânico na população

A ideia de que uma App pode ser imposta aos cidadãos e o seu uso fiscalizado pela polícia em nome da gestão de um problema que é de saúde pública num estado de direito democrático no ano de 2020 acende um rastilho de desconfiança na população face a quem foi democraticamente eleito para governar o país. Quem não entende isto anda muito desorientado na vida política.

Na incerteza da pandemia, o anúncio da possibilidade de esta ser gerida com recurso a métodos usados em sociedades autocráticas e repressivas despoleta desassossego.

Tal constatação apenas será positiva se a perturbação gerada impulsionar a liberdade de expressar pensamento contraditório e construtivo, que mobilize as comunidades na identificação das suas necessidades e na mobilização de esforços e de recursos para a resolução dos seus problemas.

Como na primeira vaga, não podemos ficar à espera que a orientação chegue quando quem tem o ónus de orientar continua desorientado, façamos a nossa parte – organizemo-nos

O impacto psicológico do coronavírus (parte II)

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Fechamos o mês de Fevereiro de 2020 com a incerteza sobre o impacto que o novo coronavírus teria na nossa sociedade à medida que este se aproximava. Tivemos de gerir o fluxo constante de informação que os media debitaram e de dar particular atenção, prestando cuidados, aos mais vulneráveis com distanciamento físico. Vivemos 45 dias de estado de emergência e, globalmente, a sociedade portuguesa suportou e cumpriu estoicamente o que lhe foi pedido.

No entanto, este esforço teve, e tem, custos psicológicos. O desgaste causado pela experiência de stress da pandemia será, na maioria dos casos, reparável, mas requer atenção e cuidados. Vários estudos que foram desenvolvidos neste período dão conta do que precisa de ser feito ao nível da saúde mental. Existem grupos que estão particularmente fragilizados. Além das pessoas que já estavam em situação de vulnerabilidade, acrescem as pessoas que pertencem aos grupos de risco para covid-19 (doentes crónicos e idosos), as que vivem com rendimentos precários e os profissionais de saúde.

Depois da pandemia, a sindemia

A pandemia veio agravar três problemas na saúde das populações: i) aumentou os casos de violência doméstica, pela implementação das medidas de contingência; ii) agravou a dificuldade no acesso a cuidados de saúde a doentes não covid-19, pela realocação de recursos escassos, com grande impacto negativo nas doenças não transmissíveis; e, consequentemente, iii) deixou grande parte da população num estado de exaustão emocional e de desgaste psicológico.

Daí que, actualmente, não temos apenas uma pandemia para gerir, temos uma sindemia, o que requer medidas muito mais abrangentes. Uma sindemia caracteriza-se por uma interacção de agravamento recíproco entre problemas de saúde e o contexto social e económico numa dada população. O problema de saúde (neste caso a pandemia de covid-19) agrava os problemas sociais e económicos e vice-versa numa espiral negativa.

Um olhar atento e comprometido com o bem-estar da população permite identificar um conjunto de medidas estruturais, que passam também pela protecção no trabalho e pela segurança social, cuja ausência condiciona o agravamento do impacto da pandemia na sociedade. Urgem respostas de combate à pobreza com Políticas de Trabalho e de Segurança Social que sejam coerentes e consistentes com o ano de 2020 em que vivemos e que façam uma actualização do que a década de 90 implementou.

Políticas que sejam transversais a toda a sociedade e que encerrem de vez a percepção de que existem trabalhadores com toda a protecção e trabalhadores sem protecção nenhuma. Ou, ainda, a ideia de que centenas de lares ilegais, de que as notícias dão conta, são algo que toda a gente sabe que existe e continuará a existir sem que o termo ‘ilegal’ faça lembrar que vivemos num Estado de Direito Democrático. É importante que se discuta o hidrogénio para o futuro estratégico do país, mas será incompreensível que não se discuta isto também.

Da adequação das medidas e das teorias da conspiração

A origem do vírus, e a forma como este se espalhou pelo mundo, permanece algo dúbia e, ainda que existam evidências que sugerem não se tratar de algo fabricado laboratorialmente, não existem ainda estudos que permitam descartar em absoluto o seu uso intencional como arma biológica. Estes ‘vazios’ são rapidamente preenchidos por teorias da conspiração na Internet alimentadas pela suspeição face a personalidades como Bill Gates que, tendo feito fortuna na informática, tem feito enormes investimentos nos últimos anos na área da saúde e da vacinação.

Assim, crescem movimentos que negam a perigosidade do vírus e que alegam que as medidas de saúde pública, como o uso de máscara comunitária, são uma tentativa de controlar e oprimir a população e de lhes impor uma vacina que lhes fará mais mal que bem.

O vírus é real e temos de lidar com a sua existência. Da adequação das medidas tomadas face à sua perigosidade só poderemos aferir muito mais tarde e será impossível saber como teria sido caso as medidas fossem outras, apenas comparar com o que outros países fizeram. Contudo, é essencial que se identifiquem erros e que estes sejam devidamente analisados para que daí se retire conhecimento a implementar nas próximas medidas. Esta é uma premissa do raciocínio clínico e, a esse nível, felizmente a abordagem a casos covid-19 é actualmente mais informada e eficaz do que era em Março de 2020, quando apareceram os primeiros casos em Portugal.

Sabemos que o uso das máscaras ajuda a diminuir os contágios e as vacinas são um dos grandes avanços de conhecimento científico da humanidade que têm permitido salvar vidas. Não vivemos numa sociedade que apenas assegura direitos e liberdades individuais, também requer de nós um conjunto de deveres e o de defender e promover a protecção da saúde é um deles – “todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover”, n.º 1 do art. 64.º da Constituição da República Portuguesa. Façamos a nossa parte.

É fundamental que não nos seja ocultada informação e que se permita um escrutínio independente das decisões tomadas tanto no plano político, como no plano técnico-científico. Num regime democrático é expectável que o governo governe e que a oposição se mantenha activa no contraditório, de forma construtiva. Uma pandemia não é uma guerra. Daí que seja positivo que, ao menos, saibamos agora quem são os especialistas que informam os decisores políticos. As analogias podem ser muito úteis em comunicação, mas também podem ser redutoras, enganadoras e limitadas.

Afirmar que estamos ‘em guerra com o vírus’ é bastante desadequado. As palavras moldam a forma como desenvolvemos a percepção da realidade que vivemos. Associadas às palavras estão significados, memórias e emoções que nos influenciam. Instala-se o desânimo e a apatia ou renovam-se forças e ergue-se a esperança. As palavras são importantes. A forma como as utilizamos também o é. Não é possível intimidar ou desencorajar um vírus. De que serve afirmar que estamos em guerra com ele?

Precisamos de alerta e prontidão, mas temos de diminuir a hostilidade e a desconfiança. Precisamos de filtrar a quantidade imensa de informação que circula, mas não podemos confundir isso com censura e falta de transparência. Precisamos de gerir a incerteza e o desconhecido, mas não devemos permitir que sobre assuntos relevantes se instale o silêncio – os ‘vazios’ serão rapidamente preenchidos. Uma pandemia não é uma guerra.

O futuro incerto

Entramos agora no mês de Outubro com a perspectiva da segunda vaga. É impossível determinar a dimensão dessa vaga, mas é estimável que o número de casos possa ser dois a três vezes superior com a chegada do Inverno.

A maioria dos casos na segunda vaga serão moderados e não requerem internamento, pelo que serão encaminhados para isolamento em casa. As famílias deverão preparar-se para acolher situações em que um membro da família está infectado e, consequentemente, toda a família tem de ficar em casa. E ainda situações em que um elemento da família, por contacto directo com alguém infectado, na escola ou no trabalho tem de ser testado e permanecer em casa por precaução. Esta dinâmica irá causar disrupção na vida das escolas, das empresas e das famílias. E, apesar de ainda ninguém nos ter dito isto, temos de nos preparar e adaptar. Quando não podemos mudar a direcção do vento, resta-nos reajustar as velas.

As limitações devidas à pandemia obrigam a menos deslocações, a menos consumo e a economia retrai-se. Muitas pessoas perderam o emprego/trabalho ou estão na perspectiva de o perder. O número de casos covid-19 aumenta com a chegada do Inverno e a sua gestão trará novos desafios aos serviços de saúde e à população. Há rumores de conflitos crescentes e de novas guerras frias e quentes a estalar pelo mundo. O futuro parece agora bastante incerto.

É normal sentir medo e ansiedade face a toda esta incerteza. Estranho seria não o sentir. As emoções podem apoderar-se de nós e é importante reconhecer que é expectável e normal que elas surjam. Temos é de as controlar e não deixar que sejam elas a controlar-nos. Procurar analisar e compreender o estado emocional que vivenciamos é o primeiro passo para as controlar.

As palavras que usamos também condicionam a forma como pensamos e sentimos algo. Não falemos de distanciamento social, falemos de distanciamento físico. Não pensemos em isolamento, pensemos em protecção. Não nos foquemos na crise, mas antes em oportunidades. Esta não é a altura para nos fecharmos e isolarmos. Temos de manter os contactos sociais e de falar abertamente com quem nos é próximo sobre o que nos preocupa e sobre como podemos lidar com isso.

Esta não será a altura para desistir e ceder à incerteza ou ao medo. Não será a altura de alinhar rapidamente com discursos radicalizados e de conspirações que, de vez em quando, ‘dizem umas coisas acertadas’. Até um relógio parado está certo duas vezes ao dia e nem por isso serve. Importa não esquecer que coragem não é sobre a ausência do medo, antes sobre a capacidade de fazer o que precisa de ser feito apesar do medo. Não podemos controlar o futuro, mas podemos controlar a forma como lidamos com ele.

Hoje no Jornal Público

Covid19 Portugal – as boas e as más notícias

Comecemos pela má notícia: Portugal registou hoje 24004 casos ativos. A 15 de Maio de 2020 tinha registado o máximo de 24065 casos ativos – A segunda vaga chegou.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pandemia_de_COVID-19_em_Portugal

No entanto, o número de casos graves e muito graves com internamentos e internamentos em cuidados intensivos é comparativamente mais baixo.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pandemia_de_COVID-19_em_Portugal

Também o números de mortes registadas é inferior em termos comparativos.

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pandemia_de_COVID-19_em_Portugal

E, nisto reside a boa notícia, os casos detetados e a forma como estão a ser orientados e tratados é agora mais eficaz. Não obstante todas as dificuldades e erros cometidos, Portugal tem condições para enfrentar a segunda vaga com ânimo.

Atendendo às características da segunda vaga e às medidas previstas no plano da DGS será expectável que o contacto com casos de Covid19, nos próximos meses, nos seja muito mais próximo. Nas escolas, nas empresas ou nas famílias vamos assistir a vários casos positivos (moderados) de pessoas que nos são próximas e que deverão ficar em isolamento. Nós próprios podemos ser esse caso positivo. É importante as famílias precaverem-se e desenvolverem o seu plano de contingência. A possibilidade de terem um caso positivo moderado em isolamento em casa é real e para tal, relembrar as orientações da DGS pode ser útil, transcrevo algumas:

Caso não seja possível a alteração de habitação, devem ser tomadas as seguintes medidas:
• Deve permanecer separado das outras pessoas, numa divisão bem ventilada e confortável, com janela para o exterior e com a porta fechada;
• Só deve sair do quarto em situação de extrema necessidade e colocando uma máscara descartável;
• Deve evitar utilizar espaços comuns com outras pessoas presentes, incluindo nos períodos de refeições;
• Não deve partilhar a cama com outra pessoa – se possível durma sozinho;
• Deve manter distância das outras pessoas presentes – por exemplo, limitar o tempo em que está com pessoas na mesma divisão, manter uma distância de pelo menos 2 metros ou 3 passos de adulto quando estiverem outras pessoas presentes na mesma divisão (sempre que possível);
• Deve utilizar uma casa de banho diferente dos restantes membros, assim como toalhas e outros utensílios de higiene. Se tal não for possível, deve pensar numa rota de casa de banho em que a pessoa em isolamento/quarentena seja a última pessoa a utilizá-la. Após essa utilização, a casa de banho deve ser minuciosamente limpa.
Proteção de pessoas coabitantes e/ou cuidadores
• Caso necessite de cuidadores, deve limitar seu o número – idealmente a um – sendo que este não deve ser portador de doença crónica ou imunossupressão;
• Deve tapar a boca e o nariz com um lenço descartável quando tosse ou espirra;
• Os lenços de papel devem ser colocados no contentor de resíduos e em seguida deve proceder-se à lavagem das mãos com água e sabão durante pelo menos 20 segundos, secando bem;
• Se necessário, os cuidadores ou conviventes de pessoas com COVID-19 (ou a aguardar o resultado do teste) devem utilizar lenços descartáveis para limpar o muco expelido pelo espirro ou tosse;
• Se for responsável pelo cuidado de um familiar ou coabitante vulnerável ou idoso, deve, sempre que possível, transferir essa responsabilidade provisoriamente, enquanto durar a quarentena/isolamento;
• Deve, igualmente, proteger os animais de estimação mantendo distância deles. Se não for possível deve lavar as mãos antes e depois de cada contacto.
Visitas em casa
• Apenas deve frequentar a habitação quem coabitar com a pessoa em quarentena ou isolamento;
• Durante o período de quarentena ou isolamento não devem frequentar a habitação outras pessoas que não residam na mesma;
• Em caso de necessidade de contacto urgente com alguém que não coabite com a pessoa em quarentena ou isolamento, o contacto deve ser efetuado por telefone.
Lavagem regular das mãos
• Deve proceder à lavagem das mãos de forma regular ao longo do dia e sempre que se justifique;
• A lavagem das mãos deve ser feita com água e sabão durante, pelo menos, 20 segundos, secando bem as mãos no final;
• Deve evitar-se o contacto das mãos com os olhos, nariz e boca.
Evitar a partilha de alimentos e itens domésticos
• Não deve partilhar a utilização de telemóveis, auscultadores ou teclados. Se tal não for possível, desinfete os equipamentos antes e depois de cada utilização;
• Não deve beber por pacotes ou garrafas, nem partilhar alimentos ou embalagens cujo interior é manipulado com as mãos (batatas fritas, frutos secos e outros snacks);
• Não devem ser partilhados pratos, copos, chávenas, utensílios de cozinha, toalhas, lençóis ou outros itens, com pessoas que coabitem no domicílio;
• Após a utilização de utensílios de pratos, copos, chávenas, utensílios de cozinha, estes devem ser lavados com água quente e sabão (detergente de lavar louça à mão) ou na máquina de lavar louça;
• Em situações em que a pessoa com suspeita de infeção esteja a aguardar resultado de análise para COVID-19, após utilização de roupa, lençóis e toalhas, estes devem ser colocados num saco de plástico devidamente identificado, até saber o resultado de teste;
• A roupa, roupa de cama e toalhas devem ser lavadas à máquina, na maior
temperatura possível (acima de 60º), utilizado detergente de máquina. Se possível utilizar máquina de secar a roupa e ferro na maior temperatura permitidas pelas roupas em questão. Lavar as mãos após tratamento de roupas sujas.
• Evitar sacudir a roupa de cama enrolando-a no sentido de dentro para fora, fazendo um “embrulho”.
Limpeza e desinfeção de superfícies
• Devem ser utilizadas luvas e roupa protetora (exemplo: Avental de plástico), para a realização da desinfeção das superfícies;
• Devem ser lavadas as mãos, antes e depois da colocação das luvas;
• Para a desinfeção comum de superfícies (especial atenção para zonas de contacto frequente como maçanetas das portas, interruptores de luz ou outros objetos):
– Lavar primeiro com água e detergente;
– Aplicar a lixívia diluída em água na seguinte proporção: uma medida de
lixívia em 49 medidas iguais de água;
– Deixar atuar durante 10 minutos;
– Enxaguar apenas com água quente e deixar secar ao ar;
• O mobiliário e alguns equipamentos (como comandos ou telemóveis) poderão ser desinfetados após a limpeza, com toalhetes humedecidos em desinfetante ou em álcool a 70º;
• Nas instalações sanitárias:
As instalações sanitárias devem ser lavadas e desinfetadas com um produto
de limpeza misto que contenha em simultâneo detergente e desinfetante na composição, por ser de mais fácil e rápida aplicação e ação; Lavar a casa de banho, começando pelas torneiras, lavatórios e ralos destes, passar depois ao mobiliário, de seguida a banheira ou chuveiro, sanita e bidé.
• Na cozinha, deve proceder-se na seguinte ordem:
Lavar as louças na máquina ou à mão com água quente e sabão (detergente
de lavar louça à mão); Limpar e desinfetar armários, bancadas, mesa e cadeiras, não esquecendo de desinfetar os puxadores dos armários e das portas; Limpar e desinfetar a torneira, o lavatório e o ralo;
• Se houver presença de sangue, secreções respiratórias ou outros líquidos
orgânicos: Absorver os líquidos com papel absorvente; Aplicar lixívia diluída em água na proporção de uma medida de lixívia, para 9 medidas iguais de água – usar máscara na diluição e aplicação da lixívia; Deixar atuar durante 10 minutos; Passar o local com água e detergente; Enxaguar só com água quente; Deixar secar ao ar e abrir as janelas para ventilação do espaço.
Cuidados a ter com os resíduos
Os resíduos (tais como lenços, restos de comida, outro lixo doméstico) produzidos por uma pessoa em quarentena ou em isolamento, devem merecer cuidados especiais, assim como os resíduos produzidos por os coabitantes:
• Deve ser colocado um contentor de resíduos (caixote do lixo) de abertura não manual com saco de plástico no quarto/sala em que a pessoa se encontra em quarentena ou isolamento;
• Todos os resíduos produzidos pela pessoa em quarentena ou isolamento devem ser colocados exclusivamente no contentor de resíduos de abertura não manual com saco de plástico que se encontra no quarto/sala em que a pessoa está;
• Os resíduos nunca devem ser calcados, nem deve ser apertado o saco para sair o ar. O saco de plástico apenas deve ser cheio até 2/3 da sua capacidade e deve ser bem fechado com 2 nós bem apertados e, preferencialmente, com um atilho ou adesivo;
• O saco bem fechado com os resíduos deve ser colocado dentro de um segundo saco de plástico, que também deve ser bem fechado com 2 nós bem apertados e, preferencialmente, com um atilho ou adesivo;
• Os procedimentos de fecho dos sacos de plástico com os resíduos produzidos pela pessoa que se encontra em quarentena ou isolamento devem ser efetuados com proteção adequada (de preferência com luvas de uso único), para reduzir o risco de contaminação;
• Após retirar as luvas enrolando-as no sentido de dentro para fora fazendo um embrulho” sem tocar na parte de fora e de as colocar no (novo) saco de plástico para os resíduos, deve proceder à lavagem das mãos com água e sabão durante pelo menos 20 segundos, secando bem;
• Os sacos de plástico com os resíduos devem ser descartados seguindo as boas práticas com o máximo cuidado para prevenção de contaminação, nunca encostando o saco à roupa ou ao corpo. Estes sacos de plástico com os resíduos são colocados no contentor coletivo de resíduos indiferenciados (contentor de prédio/rua de lixo doméstico);
• Estes resíduos não devem ser separados para reciclagem nem colocados no ecoponto;
• Lavar sempre as mãos com água e sabão durante pelo menos 20 segundos, secando bem, após qualquer manuseamento dos sacos e dos contentores de resíduos;
• Os contentores de resíduos da habitação devem ser lavados e desinfetados
regularmente, de acordo com o descrito em 3.7.;
• Os resíduos produzidos pelos coabitantes da pessoa em quarentena/isolamento devem seguir os mesmos procedimentos descritos atrás, mas colocados no contentor de resíduos (caixote do lixo) em uso geral na habitação. Estes sacos com os resíduos deverão, igualmente, ser colocados no contentor coletivo de resíduos indiferenciados (contentor de prédio/rua de lixo doméstico).
Monitorização dos sintomas
• A temperatura corporal deve ser avaliada e registada duas vezes por dia, mesmo na ausência de sintomas;
• Em caso de alteração ou agravamento de sintomas (como por exemplo: sentir dificuldade em respirar), devem ser seguidas as recomendações descritas no ponto seguinte.
O que fazer se desenvolver/agravar sintomas?
Se desenvolver sintomas ou sentir agravamento do seu estado de saúde deve ligar para a linha SNS24 (808 24 24 24) ou, se a gravidade assim o justificar, para o 112. Se lhe foi fornecido o contacto de um profissional de saúde que acompanha o seu caso, deve usar preferencialmente esta via.
Deve ter especial atenção os seguintes sintomas:
-reaparecimento, agravamento ou persistência de febre;
-dificuldade respiratória ou falta de ar;
-fadiga intensa e anormal;
-outros sintomas que motivem a necessidade de falar com um profissional de saúde.
Devem evitar-se deslocações ao seu médico assistente e deve ser realizado contacto prévio com os serviços de saúde, averiguando alternativas à deslocação (ex. teleconsulta, prescrição de medicação à distância). Em situações de emergência com necessidade de ativação de meios de emergência médica pré-hospitalar, deve ser informado o operador da chamada da sua situação de quarentena ou doença. Se está em quarentena ou isolamento por COVID-19, é importante perceber que muitas pessoas com esta doença desenvolvem apenas sintomas leves. Nestes casos, espera-se uma recuperação completa sem necessidade de muita intervenção médica. Contudo, se sentir que os sintomas estão a aumentar de gravidade deve de imediato proceder como indicado em cima e não hesitar. Para mais informações e recomendações, pode ser consultado o microsite da Direção-Geral da Saúde relativo à COVID-19 em https://covid19.min-saude.pt/ .
O que fazer se um membro do agregado familiar desenvolver
sintomas
Se um membro do agregado familiar ou coabitante desenvolver sintomas compatíveis com COVID-19 (febre, tosse ou dificuldade respiratória), deve ligar de imediato para a linha SNS 24 (808 24 24 24) ou, se a gravidade assim o justificar, para o 112. Nesse caso, deve informar o operador da chamada que coabita com uma pessoa em situação de quarentena ou doença. De seguida, deve ligar para o número de telefone que lhe foi indicado pela Autoridade de Saúde para comunicar o aparecimento de sintomas do coabitante.
Manter-se motivado durante o tempo de quarentena ou isolamento
Estar isolado ou em quarentena pode ser uma tarefa difícil. As seguintes medidas podem ajudar:
• Mantenha contacto com amigos e familiares via telefone ou outros meios
telemáticos;
• Procure informação fidedigna sobre o Coronavírus. Conhecer a doença vai
reduzir a sua ansiedade sobre a mesma;
• Informe as crianças da situação, utilizando linguagem adaptada à idade;
• Dentro do possível mantenha as restantes rotinas intactas, tais como horários de alimentação e de sono;
• Mantenha uma alimentação mais variada e saudável possível;
• A atividade física pode ser boa para si e para a sua família. Procure aulas online que o ajudem a fazer exercício em casa;
• Lembre-se que o isolamento é temporário, aproveite para descansar!”

O Pico da Covid-19 em Portugal

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Uma curva epidémica é uma representação visual do início de uma doença e da distribuição temporal dos casos associados a um surto. No eixo horizontal x é representada a data ou hora do início da doença entre os casos. No eixo vertical y é representado o número de casos identificados. Uma curva epidémica permite analisar a magnitude e a tendência temporal do surto. O, tão falado, pico do surto corresponde ao período em que ocorreu o maior número de casos e só pode ser identificado no final do surto. Deixo aqui a curva epidémica, com registo diário, à data de hoje de Covid-19 em Portugal. O pico do surto, até ao momento, ocorreu a 10 de Abril com o registo de 1516 casos.

curva epidémica