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A ideia de que se vacinássemos 70% da população teríamos imunidade de grupo foi alicerçada no valor de Ro da variante Alpha do Sars-Cov-2 e de que as vacinas teriam uma efetividade que não seria inferior a 90%. Sabemos hoje que ambos os pressupostos já não se verificam.

O Ro da variante Delta (B.1.617) está por definir (60% mais transmissível) e os dados sobre efetividade das vacinas nas novas variantes ainda são escassos, mas parecem variar entre 60% a 80%. Contudo, a administração de uma única dose parece ser tão baixa quanto 33%.

A variante Delta (B.1.617) já está presente em Portugal, tendo sido inicialmente detetada na região de Lisboa e Vale do Tejo. A propagação dessa variante no Reino Unido tornou-a dominante e o número de hospitalizações tem aumentado.

Daqui podemos concluir o seguinte:

  1. A imunidade de grupo dificilmente será adquirida com apenas 70% da população portuguesa vacinada.
  2. É expectável que em algumas semanas a variante Delta seja dominante em Portugal.
  3. Estamos num aparente início de uma quarta vaga em Portugal.

O que ainda não sabemos:

  1. Qual o impacto da imunidade existente (vacinação e recuperados de infeções) na redução do número de casos de doença grave e consequentes hospitalizações?

Dito de outra forma, de que medidas vamos precisar para gerir a quarta vaga? Neste momento, o Reino Unido optou por adiar medidas de desconfinamento para “ganhar tempo” e reforçar o número de pessoas vacinadas.

O risco de sobrecarga do sistema de saúde persiste. Temos hoje +1350 novos casos e 83 casos internados em UCI; enquanto que há um ano tínhamos +303 novos casos e 71 casos internados em UCI.

A quarta vaga está aí a chegar e temos de a gerir. Confiemos no melhor, mas preparemo-nos para o pior e se tiverem de ser cometidos erros que sejam novos e não a repetição dos mesmos.