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A partir de que momento teremos imunidade de grupo em relação à Covid-19 por via da vacinação?

Depende da efetividade da vacina e do Ro que as novas variantes terão e, no limite, pode até ser impossível.

Quando falamos de eficácia da vacina referimo-nos aos valores obtidos em ensaios clínicos controlados e aleatorizados, ou seja, em ambiente controlado. A efetividade refere-se aos valores obtidos em contexto real de aplicação da vacina à população.

A título de exemplo os ensaios clínicos da vacina da Pfizer apontam para valores de eficácia na ordem dos 90%. Se esse valor tiver correspondência em termos de efetividade significa que se vacinamos 100% da população temos 90% de imunização e se vacinarmos apenas 70% da população temos 63% de imunização.

Serão 63% suficientes?

Depende do Ro. A estimação de imunidade de grupo é dada por:

1 – 1/Ro

Ora se Ro = 2,5 temos 1 – 1/2,5 = 0,6. Ou seja, 60%.
Bastaria uma imunidade de 60% da população para se obter efeito de imunidade de grupo.

Contudo, se tivermos uma efetividade de vacina de apenas 70%, ou um Ro = 3, poderá não ser suficiente.

No limite, existem vários cenários em que uma efetividade baixa combinada com um Ro elevado torna impossível obter imunidade de grupo por via da vacinação, mesmo com 100% da população vacinada.

Não podemos esquecer que a imunidade também é adquirida por via da recuperação da infeção.

A nota importante é que as novas variantes, sendo mais contagiosas, vão aumentar o valor de Ro. Resta saber quanto aumentará o Ro e quão efetivas serão as vacinas com as novas variantes.