Tags

,

segurancasocialrealSe queremos instituições sociais com pessoas sem qualificações nas direções executivas a coordenar e a mandar nas equipas técnicas qualificadas, então a solidariedade serve.

Se queremos instituições sociais com cacique associativo e com guerrilhas internas destrutivas, então a solidariedade serve.

Se queremos instituições sociais com práticas duvidosas e relatórios pseudo-técnicos, então a solidariedade serve.

Se queremos apoios sociais e prestadores de cuidados como lares, centros de dia, creches, apoio domiciliário e apoio a doenças crónicas por instituições particulares de solidariedade social, então a solidariedade serve.

Mas, se queremos segurança social, então a solidariedade não serve.

A segurança na prestação de cuidados e de apoios sociais não pode ser assegurada quando as equipas técnicas estão sob a alçada de pessoas sem qualificações. As direções clínicas de centros de saúde e as direções pedagógicas de escolas e de universidades são asseguradas por profissionais altamente qualificados. Porque é que, na área social, as coisas são diferentes? A solidariedade compromete a segurança social.

A segurança na prestação de cuidados e apoios sociais não pode ser assegurada quando a estabilidade e a viabilidade das instituições é permanentemente ameaçada por dinâmicas associativas de baixa politiquice que frequentemente acabam em ‘guerrinhas’ e ações judiciais. Hospitais e escolas são entidades reguladas por administrações regionais que lhes asseguram estabilidade e viabilidade de recursos e de funcionamento. Porque é que, na área social, as coisas são diferentes? A solidariedade compromete a segurança social.

A segurança na prestação de cuidados e apoios sociais não pode ser assegurada quando se confundem papéis e responsabilidades de advocacia com papéis e responsabilidades de prestação de cuidados e de apoios sociais. A associação de pais e a escola não são, nem podem ser, a mesma entidade. A presidência da associação de utentes do hospital é incompatível com o cargo de diretor clínico do hospital. Porque é que, na área social, as coisas são diferentes? A solidariedade compromete a segurança social.

A solidariedade é uma dádiva pela qual devemos ser gratos, mesmo quando a sua qualidade é duvidosa. A solidariedade, muitas vezes, permite que pessoas sem qualificações estejam na linha da frente, a fazer coisas que ‘mais ninguém faz’, e devemos estar gratos por essas pessoas. A solidariedade leva à gratidão e não à segurança e na área social a gratidão é perigosa, muito perigosa.

Deixemos de falar de solidariedade por um momento e comecemos a falar de responsabilidade. Comecemos pela responsabilidade do Estado em assegurar a prestação de cuidados e de apoios sociais de forma segura, competente e profissional e não solidária. Aí, estaremos em condições de perceber formas eficientes de o fazer. Sejamos claros: solidariedade é sinónimo de insegurança e não de segurança.