Tags

Houve duas tentativas falhadas de criação da Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) até esta finalmente nascer em 2008. A Associação Pró-Ordem (APOP) tem o mérito de ter tido a iniciativa de a criar, numa altura em que a existência de uma Ordem para os Psicólogos era amplamente consensual, tanto pelo poder político como pela classe. Os Psicólogos Portugueses devem a existência da OPP à visão e iniciativa do Professor Telmo Baptista. Felicito-o porque tem essa capacidade. E demonstrou-a novamente ao ser eleito recentemente Presidente da Federação Europeia de Associações de Psicólogos – EFPA.

A demonstração de que nisto não basta ter visão e capacidade para agarrar a oportunidade quando ela existe, é preciso ter uma equipa, ficou bem visível no primeiro mandato. Faltou ponderação e bom senso. Os membros da direção nacional e do conselho jurisdicional eram os formadores dos jovens estagiários que se candidatavam à OPP. Era (quase) tudo feito sempre pelos mesmos, e mal feito. Este mandato foi uma desilusão. Não confundir com delusão. Só quem andava distraído e acreditava que estava tudo bem é que ficou surpreendido por haver duas listas no final deste mandato.

Acompanhei e apoiei o Professor Rui Abrunhosa, candidato a bastonário em 2013. A convicção de que algo está mal e que podia ser melhor sempre me impeliu a dar de mim o contributo que acredito ser necessário para a mudança. A Psicologia Plural trouxe à OPP o estimulo necessário para a mudança que se impunha. A sua disponibilidade e combatividade mostrou que a pluralidade é fundamental para o salutar desenvolvimento da OPP. Apesar das trapalhadas com os boletins de voto por correspondência no momento das eleições, este mandato foi pautado por mudança. Mudaram-se estatutos, mudou-se o regulamento eleitoral e mudou-se a cultura de unanimidade, de falta de contraditório, da ausência de pluralidade e de debate de ideias e de procedimentos. Contudo, infelizmente, muito ficou por mudar.

As eleições a 6 de Dezembro de 2016

a Lista C

A lista que pretende ser de continuidade e, curiosamente, apresenta o lema: Por uma Ordem Próxima e Forte. Esperaria um lema de continuidade que sublinhasse a consolidação do trabalho feito, de forma coerente com o rumo traçado até aqui. Apesar de discordar desse rumo, era isso que esperava – continuidade. Significará este lema que temos uma ordem distante e fraca? Será esse o fruto do trabalho do director executivo, que agora se candidata a bastonário? As sete ideias base do programa apresentado parecem ser uma assunção de que tudo o que foi feito nos últimos seis anos falhou e está, afinal, por fazer.

a Lista B

A lista que apareceu como movimento no facebook no decorrer das eleições de 2013 formalizou-se agora e questiona de forma veemente o estado atual da OPP. Mas o candidato a bastonário foi, e ainda é, o secretário da direção nacional da OPP. Poderá esta lista ser uma alternativa ao que existe? Não creio. Parece-me demasiado comprometida com as decisões tomadas nos últimos dois mandatos. Além disso, o seu programa soa-me estranhamente familiar ao programa Psicologia Plural de 2013.

a Lista A

A lista que se organizou com o Professor Rui Abrunhosa como mandatário e com o Professor Víctor Moita como candidato a bastonário, renovando a lista Psicologia Plural com vários elementos da atual Assembleia de Representantes e com o Tiago Pimentel, atual Presidente do Conselho Fiscal. A vasta experiência do Professor Víctor Moita na defesa e na organização da profissão em Portugal faz-me acreditar que ele é a pessoa certa, com a experiência e a disponibilidade, para ser o bastonário que a OPP necessita neste momento. Acompanha-o uma equipa experiente, dos quais  destaco: a Cecília Galvão de Azevedo, a Isabel Sequeira, a Ana Morais da Silva, o Luís Pimentel, o Joaquim Gronita e a Sofia Calheiros. Conseguirá esta equipa governar a OPP de acordo com os princípios: Pluralidade, Participação, Representatividade, Transparência e Responsabilidade? Se não acreditasse nisso não seria candidato a vice-presidente da direção nacional, mas o que eu acredito agora não interessa. O que conta é o que os colegas irão decidir a 6 de Dezembro.

O Futuro

A OPP começou em 2013 a mudar para uma cultura de maior pluralidade e de contraditório. Os procedimentos começaram a ser descentralizados e a tornar-se mais transparentes. Como membro da comissão eleitoral nacional em 2013 e, novamente, em 2016 posso atestar isso. A atual comissão eleitoral, com o Presidente José Ornelas, tem sido um exemplo de neutralidade e de sentido de responsabilidade institucional. Já foram aprovados dois debates na sede da OPP com transmissão em streaming e o adiamento do envio da revista PsiXXI de Novembro para depois das eleições, por não se tratar de uma edição especial unicamente subordinada às eleições com conteúdo equitativo das 3 listas. Como seria de esperar. Neste campo, creio que ainda temos um longo percurso de maturidade institucional por fazer na OPP. É pena que as redes sociais estejam tão inundadas de campanha eleitoral há tantos meses, expondo publicamente a OPP, quando existem mecanismos internos de comunicação adequados para campanha eleitoral que deveriam estar ao dispor das listas, por iniciativa da direção nacional, mas continua a faltar algum bom senso e maturidade institucional.

Alguns colegas têm-me perguntado quanto iremos pagar de quotas, caso a lista A vença as eleições. Acredito que as quotas pagas têm de se traduzir em valor acrescentado para os profissionais que as pagam. É no balanço do que pagamos e do que recebemos que devemos aferir o ‘custo’ da quota. Para financiar o que recebemos actualmente da Ordem, diria que bastam 10 euros anuais de quota. Um orçamento de cerca de 150 mil euros/ano deveria ser o suficiente para alugar um espaço em Lisboa com telefone fixo para receber as convocatórias do ministério da saúde e os convites das iniciativas das outras ordens profissionais, remunerar alguns administrativos e emitir cédulas profissionais. Contudo, para a lista a que pertenço isto não satisfaz. É preciso fazer mais e melhor.

Deixo algumas questões para reflexão:

  • Quantos colegas se queixam, passados seis anos, de não serem atendidos e de não conseguirem resolver de forma atempada problemas junto da Ordem?
  • O que oferece a Ordem aos seus membros, além da cédula profissional e de um seguro profissional obrigatório por lei? Por favor, não me venham falar de descontos na CP…
  • Quantos membros já participaram num evento na sede nacional/regional da sua Ordem? Sabem sequer onde fica?

Uma coisa me parece segura para o futuro: a OPP está em desenvolvimento. Já não é o que era em 2013.

Alguma documentação que poderá interessar:

# Os estatutos da OPP: Lei Nº 57_2008 / Lei n.º 138_2015
# O regulamento eleitoral da OPP: regulamento n.º 768_2016
# Plano de gestão de riscos de corrupção e infracções conexas – aqui
# Relatórios e Contas: 2010 / 2011 / 2012 / 2013 / 2014 / 2015